Não há rios nem planícies nem desertos
Mas há verdes cristalinos orvalhados aquecidos
Não há pedras nem caminhos nem há flores
Mas há verticalidades aromáticas subtis
Lamentos violáceos e rugidos de silêncio
Não há fontes nem canções
                         Água que veio não sei donde
                         partindo para onde nem tu sabes
Mãos crispadas fotograficamente
Fotograficamente riscadas rejuvenescidas
Sinceridade sem fim nem pensamento
Perturbação
                                Silêncio
                                                        Esgotamento
Intuição das coisas que outros raciocinam
E crença em si que é vaidade ignorada
                      - O teu retrato
                        em visão surrealista

Não se pode dizer mais quando já se disse tanto
Um abraço do amigo HEITOR

Do livro NOVOS GRELADOS DE LETRAS - Coimbra 1957

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