João Lamas nasceu em Condeixa-a-Nova, em Outubro de 1935, neto, filho e sobrinho de analfabetos. Seu pai, sucessivamente pastor, ajudante de cozinheiro, moleiro e finalmente guarda da Tutoria de Menores de Coimbra (em 28 de Maio de 1926), fez a 4ª classe da instrução primária no ano em que o filho fez a 3ª classe do mesmo grau de ensino (em 1945).
Licenciou-se em Ciências histórico-filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
De 1958 (Setembro) a 1964 (Janeiro) cumpriu o serviço militar obrigatório. Dois anos na Guiné.
Foi professor do ensino técnico e do ensino liceal e Leitor de Português na Faculdade de Letras da Universidade de Toulouse, França, durante sete anos.
Em Setembro de 1973 entrou no quadro da carreira técnica superior do Ministério da Educação, tendo sido colocado no então Secretariado da Reforma Educativa, integrando igualmente o Grupo Português IMTEC (International Management Training for Education Change ), no âmbito de um projecto da OCDE. Chefiou a divisão da Difusão da Língua e Cultura Portuguesas no Estrangeiro do ex-Instituto de Alta Cultura, depois Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, mais tarde extinto para da lugar ao Instituto Camões. Foi membro da Comissão Instaladora do Instituto Português do Livro, tendo sido nomeado director de serviços técnicos desse Instituto. Passou depois a director do Gabinete de Organização e Pessoal do Ministério da Cultura e a seguir director de serviços Estudos e Informação do Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis.
Ao longo da carreira frequentou os seguintes cursos de formação especializada e de valorização profissional: Curso de Direcção Moderna: Fundamentos e Técnicas, curso para Dirigentes da Administração Pública, do Instituto Nacional de Administração, curso de Gestão de Recursos Humanos da Função Pública, do Instituto Nacional de Administração, curso de Formação Pedagógica de Formadores, curso de Auditor de Defesa Nacional, do Instituto da Defesa Nacional.
Por inerência de cargo, foi membro do Conselho Superior da Reforma Administrativa, da Comissão Interministerial de Formação e do Núcleo de Altos Funcionários da Comissão de Desconcentração, tudo arranjos fugazes que duravam quanto duravam Ministros e Secretários de Estado das respectivas tutelas.
Participou em várias missões técnicas, em Portugal e no estrangeiro, no âmbito da educação e da cultura.
Foi directamente encarregado pelo Ministro da Educação (Roberto Carneiro) de estudar o funcionamento do Conselho Consultivo do Ensino Particular e Cooperativo, acompanhar a sua actividade e apresentar propostas de alteração do estatuto deste órgão. A estrutura que o Conselho de Ministros aprovou já não tinha a ver com a que havia sido aprovada e até elogiada pelo Ministro.
Publicou artigos de opinião sobre matérias de ensino, cultura, política de juventude e sobre valores da matriz histórica de Portugal em jornais e revistas especializadas, tais como Nação e Defesa, África Hoje, Educação e Liberdade, Revista de Segurança e Defesa Nacional, Revista da Casa Pia de Lisboa, Jornal Novo, entre outros.
Em 1994, com a aproximação de 36 anos de serviço público, desiludido e descrente nas sucessivas promessas de reforma da Administração Pública, pediu a aposentação. Para tal a entidade hierárquica superior teve de formalmente declarar que não havia inconveniência para o serviço. Ela assim declarou. Mas na mesma altura concedeu-lhe público louvor "pelo invulgar empenho espírito inovador com que abraçou todos os projectos". Isto é: a Administração confessava que não havia inconveniência para o serviço em dispensar um técnico que ela própria reconhecia ter espírito de inovação .
E o autor aposentou-se. Data de 1984 um texto que apresentou oficialmente no ministério da educação e que é uma espécie de grito rebelde com que o autor quis marcar o seu compromisso pessoal sempre que lhe era exigida a demonstração das suas capacidades técnicas e administrativas que nunca descurou. Passados estes anos, ainda lhe sobram razões para propor aos cibernautas pacientes o propósito deste escrito. É um desabafo que partilha com quem o queira ler, até porque, infelizmente, a ecologia administrativa de então é ainda reconhecível passados estes anos todos...
Procurou defender os seguintes princípios:O funcionário tem direito a saber como caminha a organização onde se insere, para fazer seus os objectivos dela.
O papel distribuído ao funcionário deverá estimular a acção no sentido da auto-emulação das capacidades iniciais.
O funcionário deve participar num continuado processo de troca de experiências profissionais.
O funcionário deve manter-se preparado para se não marginalizar do ambiente cultural onde age e assim constituir-se em motor de renovação de processos e métodos de actuação.
O funcionário não ocupa um posto, mas desempenha um papel que deve corresponder à pressão que sente do mundo exterior.
O funcionário tem o direito de ser informado objectivamente e com regularidade dos seus êxitos e fracassos e deve sentir que a carreira depende de si e não dos caprichos regulamentares.
Como dirigente pautou a sua conduta pelas orientações seguintes:
Aferir com o superior o poder de império sobre os meios requeridos para atingir os objectivos fixados.
Defender o exercício das suas competências próprias ou delegadas.
Procurar conciliar a planificação dos serviços com os planos individuais dos funcionários.