INTUIÇÃO DAS COISAS QUE OS OUTROS RACIOCINAM.
POR AQUI OU POR ALI, TODA A GENTE CHEGA LÁ.
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1. O bom nome
a que temos direito nunca é mau... Sou Lamas.
Perguntam-me com
frequência se eu pertenço aos Lamas de... gente célebre. Não, meu lamaçal
é outro, mas não tenho nada contra. A identificação civil adianta pouco ou
nada sobre a pessoa. Quem vê caras, não vê corações.
Aqui sou visto por mim e por outros. Mas só eu assumo a representação da
minha insubstituível memória emocional.
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2. Funcionário
público, sei o que é o
tacho: aconchega o estômago e amolece o engenho. Resisti e barafustei e
desisti, frustrado, após 36:00:00 (anos:meses:dias). Sou um aposentado por
inteiro. Nada mau: sopas, descanso e até, vejam lá, a Internet para levar
o desabafo pelo universo fora... |
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3. Nunca rejeitei
o passado. Não me lembro de ter desejado alguma vez construir
deliberadamente o futuro. Quanto ao presente, incomoda-me a prolongada
rotina da passagem. Sou um retrógrado vigilante: uma alma deste mundo com
saudades do outro. Daí a tendência para nunca esconder por de trás do
discurso a suposta neutralidade da razão diante do sentimento. Vão aqui
alguns exemplos, já velhos, da razão com que sinto.
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4. Se eu tivesse que repetir o
passado, voltaria ao dia em que meu pai e minha mãe me conceberam. Foi o
dia em que Deus se fez história em mim. A necessidade do amor, a que eu
chamo o usufruto da criação sem lei, se foi inventada pelo homem,
parece-me não poder ser senão impulsionada por Deus. Eu sou um crente e
tento expressar minha crença, às vezes sem rei nem roque. |
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5. E por ali
cresci. O ponto terrestre mais significativo do universo é o largo da
minha aldeia. Trata-se do centro geográfico de uma vida cujo perímetro
nunca foi além de uns quatro quilómetros até à idade de dez anos. Aprendi
depois no liceu que o carro de mão era uma alavanca e na universidade que
meus cabelos louros eram um gene. Como é que hei-de desagravar estas
ofensas aos meus olhos de menino senão devolvendo à aldeia a ficção que a
cidade me deu. |
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6. A actualização
desta "webpage" concretiza-se n' O Proverbiota, meu blogger. Daqui vão
textos para lá e de lá textos para aqui. Um vaivém da memória, sem fim
nem pensamento.

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